terça-feira, 12 de agosto de 2008

Cidadão de Papelão

(O Teatro Mágico)
O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, nem voz
Nem terno, nem tampouco ternura
À margem de toda rua, sem identificação, sei não
Um homem de pedra, de pó, de pé no chão
De pé na cova, sem vocação, sem convicção
À margem de toda candura
À margem de toda candura
Cria a dor, cria e atura
Cria a dor, cria e atura
Um cara, um papo, um sopapo, um papelão
O cara que catava papelão pediu
Um pingado quente, em maus lençóis, à sós
Nem farda, sem tampouco fartura
Sem papel, sem assinatura
Se reciclando vai, se vai
À margem de toda candura
À margem de toda candura
Não habita, se habitua
Não habita, se habitua
Homem de pedra, de pó, de pé no chão

2 comentários:

Maurício Levy disse...

eu ali, bem belo, no Bar Capitólio, após escrever o primeiro verso vejo cair um galho em cima do meu caderno (atrás da poesia no meu caderno...) E neste galho tinha o que?
tãn dãm
Cinco folhas!

Maurício Levy disse...

Ah é! Cinco folhas...e não cinco plantas!